quinta-feira, 31 de março de 2011

Jacu Bird e seus grãos preciosos



Depois de almoçar, dois amigos tomam um café no restaurante perto do trabalho e caem fora. A volta pro trampo é aquela coisa, barriga cheia e sono. O café está presente em quase todas essas horas. Por isso entraram nesse papo:
– Porra... que café horrível!
– Também achei. Ruim pra caralho.
– Bem que podia ser aquele café do cu do Jacu né?
– Como que é?
– Café do cu do Jacu.
– Cara... cala a boca.
– Meu... vai me dizer que você não sabe que o melhor café do Brasil sai do cu do Jacu?
– Tá de brincadeira né?
– Não... o quilo desse café custa 240 conto. É o Jacu Bird Coffee ou Café do Jacu ou Café do cu do Jacu ou café cagado pelo Jacu ou a única coisa que presta que sai do cu do Jacu.
– Tá bom... sim... claro... aí do pau do Jacu sai o “famoso” Jacu Bird Milk?
– Não idiota, falo sério. É produzido no Espírito Santo esse café. É um dos mais caros do mundo. A maior parte da produção do Jacu Bird vai pras melhores cafeterias de Tóquio, Londres, Los Angeles e São Francisco.
– Não sabia que você entendia tanto de cu de Jacu! Já comeu quantos?
– Cara... como você é idiota. Nem de café eu entendo! Mas é que já fui pra Pedra Azul, na fazenda Camocim. É de lá esse café.
– Então por que você nunca me falou sobre?
– Sei lá... também né cara... você toma qualquer café... de boteco... de qualquer coisa...
– Mas cara... por que este café é tão caro? O que esse cu tem de tão especial?
– Porra cara... não sei se é o cu em si... eu sei que o motivo é porque passa por um processo diferente dos tradicionais.
– Ah! Sério... achei que todos passassem por algum cu... mais conhecido como “cuador”... ou algo do tipo... “deCUstador”!
– Não não... falando sério agora! Os grãos do Jacu Bird são colhidos das fezes da ave. O Jacu come os melhores frutos do cafeeiro, os sem defeito e completamente maduros!
– Olha só... que pira cara!
– Pois é... doido né?
– Mas como alguém descobriu essa parada será?
– Então, dizem que alguém soube que o café mais caro do mundo, na Indonésia, é produzido de grãos das fezes do Civeta – um tipo de gato selvagem!
– Puta merda cara... tá... vai me dizer que o café mais caro do mundo chama-se Civeta Cat Coffee?
– Cada pergunta idiota cara. O Kopi Luwak é o café mais caro do mundo.
– E como alguém pôde perceber que o Jacu cagaria tamanha preciosidade?
– Então... isso aí eu não sei também! O cara ficou sabendo essa do gato e ficou prestando atenção em que bicho colhia os grãos de café na sua plantação. Imagino eu!
– Quer dizer que você já o tomou então?
– Já...
– É bom?
– O café é bom.
– E o Jacu?
– Que engraçadão! Cara... o fato é que o Café do Jacu é foda!
– Literalmente foda... uma foda de um Jacu com um grão!
– Pois é... ao contrário da sua boca, nem tudo que sai do cu é bosta...

quarta-feira, 30 de março de 2011

Para o mundo

 Procurando afinar a sintonia com a presença de Oswald de Andrade no percurso que o Modernismo realizou, fui ler algumas páginas de Manuel Bandeira. Aliás, pensava eu no decorrer da leitura quão esclarecedora é a aproximação entre produções literárias diversas, produzidas em tempos próximos: fica-se conhecendo a distância que há entre um e outro, as relações que escolheram desenvolver etc., além de passarmos a conhecer um pouco mais do poeta que se utilizou como referência aproximativa.
O que eu folheava de Bandeira (que Mário de Andrade chamou de o “São João Batista do Modernismo”) era sua Poesia completa e prosa, editada pela Aguilar (reimpressão da 4ª edição, 1983), na sua conhecida apresentação em papel bíblia (que apenas na semana passada pude adquirir, e ainda agora estou maravilhado com a aquisição). E comecei por conferir a introdução geral, que trazia um estudo de Sérgio Buarque de Holanda sobre a obra do poeta pernambucano de “Vou-me embora pra Pasárgada”. O texto de Sérgio (intitulado "Trajetória de uma poesia") é, como se poderia esperar, penetrante e informativo, e a mim trouxe esclarecimento sobre um aspecto crucial da poesia de Bandeira: a “evasão”. Sempre achei desfalcada a explicação dos manuais sobre este tema em Bandeira, acerca do qual o crítico e historiador paulista afirma andar “intimamente associada à sua [de Bandeira] maneira peculiar de exprimir-se e que, no caso, vale antes por um ato de conquista e de superação, do que propriamente de abdicação diante da vida” (p. 19). Imediatamente a seguir, Sérgio Buarque continua a tratar do tema, exercitando agora, também ele, a aproximação de figuras literárias díspares:
“Também não acredito, como o acreditou Mário de Andrade, num dos seus admiráveis ensaios críticos, que represente simplesmente uma cristalização superior do vou-me-emborismo popular e nacional, cujos traços podem ser discernidos através de nossa literatura folclórica. Em Bandeira ela tem sentido profundamente pessoal para se relacionar a uma atitude suscetível de tão extraordinária generalização. Seria talvez preferível ir buscar seu paralelo em exemplos singulares que pode proporcionar de preferência a literatura culta. E ocorre-me, no momento, o de uma peça das mais célebres de um grande poeta que viveu ainda em nossos dias: William Butler Yeats.
Todavia a aproximação, mesmo aqui, não pode ser feita sem extrema cautela. Em Sailing to Byzantium, o poeta, resignado à própria velhice, busca um mundo distante, onde os monumentos sem idade do intelecto não foram e não poderiam ser contaminados pela febril agitação ou pela música sensual das gerações presentes, e onde a própria vida se desgarra das formas naturais para assumir a feitura das criações dos artesãos da Grécia e assegurar a vigília do Imperdor:
[...]
Bizâncio é sagrado asilo, ‘artifício de eternidade’, inacessível aos tumultos vãos da humanidade mortal. Pasárgada é, ao contrário, a própria vida cotidiana e corrente idealizada de longe; a vida é vista de dentro de uma prisão ou convento.”

É o que o crítico chama, utilizando expressões do poeta, de evasão “para o mundo” – o que aliás condiz com o lirismo sórdido do poeta de A cinza das horas.

terça-feira, 29 de março de 2011

o brasil não é longe daqui

Só sendo brasileiro, isto é, adquirido uma personalidade racial e patriótica (sentido físico) brasileira, é que nos universalizaremos, pois que assim concorreremos com um contigente novo, novo assemblage de caracteres psíquicos para o enrequecimento do universal humano.
 [o trecho acima é do Mário de Andrade, em carta a Manuel Bandeira; encontrei-o na Apresentação da poesia brasileira de Bandeira, ou seja, citado pelo próprio Manú (assim chamado em muitas das cartas de Mário); interessava-me comparar as passagens do estudo dedicados a Oswald e a Mário; a diferença é sensível, ficando patente a pouca simpatia (sempre respeitosa) do poetinha pernambucano pelo criador de Pau Brasil, o que não é surpreendente; o título da postagem é lembrança de um título de Flora Süssekind, livro que sempre me deixou curioso, inda agora curiosando estou; o retrato ao lado foi pintado por Portinari]

domingo, 27 de março de 2011

1925

Em carta a Manuel Bandeira de 1925, uma das centenas que Mário de Andrade escreceu ao poeta de Pasárgada, encontro este ps curioso:

"Diga uma coisa. Como você acha melhor: Moçada se amando no imenso Brasil ou do imenso Brasil? Eu gosto mais do."
Não sei dizer a quê o Mário se refere, mas assim mesmo sem um sentido mais articulado, é bonito musical e sugestivo.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Batismo mercantil

Oswald de Andrade chamou a atenção certa feita para o fato desta nossa terra ter recebido o nome do produto comercial que primeiro foi explorado pelos portugueses, o pau de tinta ou Pau Brasil. Isto já está no primeiro historiador desta América Portuguesa, Pero de Magalhães Gândavo, em sua História da Província de Santa Cruz (1576), na qual se pergunta:
"Porque na verdade é mais de estimar e melhor soa nos ouvidos da gente cristã o nome de um pau em que se obrou o mistério de nossa redenção que o doutro que não serve de mais que de tingir panos ou coisas semelhantas?"

sábado, 19 de março de 2011

Linguagens, códigos e suas tecnologias

Segue abaixo o endereço eletrônico que leva aos PCNEM. O documento em questão trata de outros conhecimentos, além da Língua Portuguesa, que não interessarão às discussões dos Seminários de Pesquisa Aplicada ao Ensino de Literatura Vernácula (HG 063). O trecho que interessa à disciplina vai até a página 24.

terça-feira, 15 de março de 2011

10 poemas de Augusto dos Anjos



Eis a reunião de 10 poemas de Augusto dos Anjos, com uma pequena nota introdutória de Paulo Franchetti (retirada do site brasiliana USP). Os textos serão utilizados na disciplina Literatura Brasileira III, tendo o poeta paraibano encarnado contradições fundamentais do período Pré-Modernista.

sábado, 12 de março de 2011

A tragédia de fazer ironias


Verdadeiro inventário de uma geração que findava, bússola de uma produção literária que começava. Assim podemos caracterizar O País do Carnaval, livro de estreia da profícua produção literária de Jorge Amado. A história de Paulo Rigger, o protagonista do romance, é o símbolo das "atitudes céticas" que supostamente haviam marcado a geração ativa durante os anos de 1920 no Brasil. A geração de Jorge Amado, de acordo com sua próprias palavras, chegava para combater as "atitudes céticas". Era o "projeto estético" que apresentava sinais de exaustão, deixando espaço para o chamado "projeto ideológico", que marcou o segundo momento do Modernismo (segundo a proposta interpretativa de João Luiz Lafetá, no seu importante estudo 1930: a crítica e o modernismo). O País do Carnaval é romance escrito pelo jovem Amado, então com 18 anos -- e talvez devamos pesar este dado na consideração dos defeitos e qualidades da narrativa. Como certa aparência contraditória que surge logo na "Explicação" posta antes da história de Rigger: Amado parece combater as "atitudes cética" com outra atitude cética, acreditando por exemplo que a "grandiosidade da natureza" e a "confusão de raças e sentimentos" que caracterizam a "formação do povo" no Brasil nos condenam à condição de palhaços, "de uma pequenez clássica". Vejamos o que Amado explica em sua "Explicação".
Diante da grandiosidade da natureza, o brasileiro pensou que isto aqui fosse circo. E virou palhaço...
Este livro pretende contar a história de um homem que, tendo vivido na velha França muito tempo, voltou à Pátria disposto a encontrar o sentido da sua vida.
Conta a sua luta, o seu fracasso. Conta a luta dos seus amigos, rapazes de talento, que falharam na existência.
Este livro é um grito. Quase um pedido de socorro. É toda uma geração insatisfeita, que procura a sua finalidade.
Nós já começamos a luta contra a dúvida. A geração que chega combate as atitudes céticas.
Este livro narra a vida de homens céticos que, entretanto, procuram uma finalidade. Tentaram alcançá-la. Uns no amor, outros na religião. O fracasso das tentativas não é prova da sua inutilidade.
Este livro pretende ser humano. Por mais que pareçam artificiais os seus heróis, eles vivem. Porque, procurando bem, até homens inteligentes se encontram no Brasil.
Mais do que humano, este livro tem veleidades de humanitário.
Cristo disse que se devia amar o próximo.
Acho que se deve ter amor aos semelhantes e uma grande indiferença feita de desprezo e de perdão, aos que não nos são semelhantes...
Eu não tenho veleidades literárias. Não pretendo fazer público com este romance. Não sou pornógrafo, nem jornalista de sensação.
Este livro tem um cenário triste: o Brasil. Natureza grandiosa que faz o homem de uma pequenez clássica.
A sátira, no Brasil, só a praticam os papagaios.
No Norte, terra da promissão, há uma grande confusão de raças e de sentimentos. É a formação do povo. E dessa confusão está saindo uma raça doente e indolente. E todo dia a natureza surra, com o chicote do sol, o nortista tragicamente vencido.
Este livro é como o Brasil de hoje. Sem um princípio filosófico, sem se bater por um partido. Nem comunista, nem fascista. Nem materialista, nem espiritualista. Dirão talvez que assim fiz para agradar toda crítica, por mais diverso que fosse o seu modo de pensar. Mas afirmo que tal não se deu. Não me preocupa o que diga do meu livro a crítica. Este romance relata apenas a vida de homens que seguiram os mais diversos caminhos em busca do sentido da existência. Não posso bater-me por uma causa. Eu ainda sou um que procura...
Eu quisera intitular este romance de – Os homens que eram infelizes sem saber porquê, – Mas a gente tem vergonha de certas confissões. E fica-se vivendo a tragédia de fazer ironias.
Os defeitos deste livro são a minha maior honra.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Atitude de apaixonada escuta

Manuel Bandeira, em seuItinerário de Pasásrgada – que revela muito do "itinerário em poesia" do seu autor –, conta como foi se aproximando da "ideia de que a poesia está em tudo – tanto nos amores como nos chinelos, tanto nas coisas lógicas como nas disparatadas". Logo nas primeiras páginas doItinerário, Bandeira fala dos primeiros versos que teria percebido, dos contos da carochinha, da companhia paterna. E do pai aliás ouviu Bandeira uns versos que o impressionaram, versos que seu pai por sua vez ouvira de um homem que lhe viera pedir esmola. Seu Souza Bandeira, o pai do poeta, brincara com o sujeito: "Pois não! Mas você antes tem de me dizer uns versos." E o sujeito assim se saiu:

quarta-feira, 9 de março de 2011

Fagundes Varela,O Evangelho nas Selvas

Folheando O Evangelho nas Selvas ou Anchieta (1871-75), de Fagundes Varela, é curioso o passeio pelas páginas iniciais onde se estampam uma nota editorial e uma longa introdução. Essas páginas são marcadas pela melancolia que a recente morte do “poeta da simplicidade e da singeleza” impunha. E o tom das lamentações é bastante grandiloquente, com os exageros característicos da época. No final de uma das notas elegíacas do livro, deparamo-nos com essa verberação patética: “Eu não te lastimo, não. Invejo-te.” Pois, o autor da nota não lamentava o fim precoce do poeta fluminense, mas antes invejava sua sorte! Patético demais! Bem ao gosto... “Tão Brasil” – diria Mário de Andrade.

terça-feira, 8 de março de 2011

Epígrafes do Romantismo


Que formosos são os teus pavilhões, oh,
Jacob!
Que bellas as tuas tendas, oh! Israel!
... O seu rei será regeitado por causa de
Agag, e o reino lhe será tirado!
Eu o verei, mas não agora eu o contemplarei,
mas não de perto. Nascerá uma

estrella de Jacob!

segunda-feira, 7 de março de 2011

Barroco científico


Um das mais notáveis análises da obra de Euclides da Cunha, peça fundamental da fortuna crítica sobre o autor d'Os Sertões (1902), é o ensaio “Euclides da Cunha: revelador da realidade brasileira”, de Gilberto Freyre. Com linguagem sedutora, o escritor pernambucano apresenta aspectos centrais da produção intelectual de Euclides – “um dos escritores brasileiros que maior influência vêm exercendo sobre a gente do seu país e maior atenção da parte de estrangeiros vêm atraindo para a cultura, em geral, e para as letras, em particular, de um ainda obscuro Brasil”. Os trechos que seguem foram retirados das obras completas de Euclides da Cunha (Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1995, vol. I).

“A verdade é que Euclides da Cunha escreveu perigosamente. Transpôs para a arte de escrever o viver perigosamente de que falava Nietzsche. Escreveu num estilo não só barroco – esplendidamente barroco – como perigosamente próximo do precioso, do pedante, do bombástico, do oratório, do retórico, do gongórico, sem afundar-se em nenhum desses perigos. Deixando-o apenas tocar por eles; roçando por vezes pelos seus excessos; salvando-se como um bailarino perito em saltos-mortais, de extremos de má eloqüência que o teriam levado à desgraça literária e ao fracasso artístico. Que o teriam tornado outro Coelho Neto.
É um escritor cujo gosto, sem ser o convencionalmente bom, dos clássicos medidos e claros, nos dá a idéia de estar sempre em perigo: o perigo de tornar-se absolutamente mau. Mau segundo todos os padrões: os clássicos e os anticlássicos. Apenas esse risco nunca se realiza de todo. Nunca passa inteiramente de risco à desgraça literária. O autor d’Os Sertões nunca chega a ser catastrófico em seus colapsos de má eloqüência. Euclides da Cunha não nos desaponta em momento algum com uma só expressão de inconfundível mau gosto; ou de indiscutível preciosismo; ou de absoluto gongorismo. O que nele é freqüente é o gosto duvidoso, ambíguo e, por conseguinte, discutível.
[...]
Euclides foi escritor que escreveu quase sempre declamando [...]. Ouvido, Euclides vem sendo há mais de cinquenta anos por muitos dos que o vêm lendo; entendido por outros tantos; admirado por quase todos. Pois é escritor dos que, mesmo quando não são plenamente entendidos, são agradáveis de ser ouvidos através do que escrevem. Escritores nascidos com boa voz. Nascidos escritores sonoros e que potentemente sonoros se conservam, mesmo quando suas mensagens perdem a potência intelectual.” (p. 18)

Gilberto Freyre é hábil analista da escrita monumental de Euclides, a qual descreve através de um sem número de formulações conceptistas. Musical também, também ele nascido com boa voz, apresenta este “revelador da realidade brasileira” que foi Euclides de modo saboroso. Dois outros trechos interessantíssimos seguem adiante:

“Euclides pertence ao número de autores que não se deixam buscar ou procurar pelo leitor: vêm ao seu encontro. Apresentam-se. Exibem-se. Nenhum escritor de língua portuguesa mais presente na sua literatura do que ele. Nenhum mais ostensivo na sua presença.” (p. 23)

Caráter marcante da escrita de Euclides, ela evoca a figura de outro escritor do momento pré-modernista no Brasil – a de Augusto dos Anjos. O poeta paraibano doEu decalca com traços fortes o eu lírico, que gesticula enfaticamente entre as “perpétuas grades” de seus versos singularíssimos. E não é preciso muita investigação para que encontremos a figura do poeta a apresentar-se na gesticulação desse eu lírico, tantas vezes autobiográfico. Passemos ao último trecho selecionado, que trata do “brasileirismo” de Euclides:

“Seu próprio brasileirismo, por vezes enfático, talvez fosse uma expressão do que o autor julgava ser, em si mesmo, presença ameríndia: tapuia. Admitia que fosse um tapuio modificado por outras presenças – pela ‘grega’ e pela ‘celta’. Mas a consciência de ser homem de sangue ameríndio parece ter-se tornado nele outra consciência: a de dever ser um escritor com alguma coisa de não-europeu e até de antieuropeu em sua visão do ambiente nativo e em sua expressão ou em sua interpretação desse ambiente. Não só escritor: homem público.”

domingo, 6 de março de 2011

Uma introdução







Uma boa introdução para ao conhecimento da obra de Euclides da Cunha pode ser encontrada no endereço eletrônico do "Alô Escola" (recursos educativos para estudantes e professores)

sábado, 5 de março de 2011

projeções de uma obra

São muitas as projeções da obra de Euclides da Cunha na produção cultural e no pensamento brasileiro. Gilberto Freyre dava nota desse fenômeno já na década de 1950, e de lá pra cá essa centralidade de Euclides entre pensadores e escritores é cada vez mais intensa.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Slides sobre o Barroco


Seguem os slides que serviram, em sala de aula, como introdução ao estudo do Barroco no Brasil. A apresentação é parca, carecendo de informações básicas, mas servirá pela sugestão do espírito seiscentista que as imagens trazem. "Barroco: o pictórico e o patético" é o título da apresentação, que pode ser encontrada no endereço abaixo:

quinta-feira, 3 de março de 2011

Antologia dos Poetas Brasileiros do Período Colonial

:
Prazerosa tarefa a de compilar textos e compor antologias. Segue mais uma, desta vez contemplando os poetas "brasileiros" do período colonial. A nacionalidade desses poetas segue entre aspas pois de fato nem todos eles são brasileiros: aliás o primeiro deles, Anchieta, nasceu longe das terras em que iria morrer – nas Ilhas Canárias, ano de 1534, época em que a grande conquista portuguesa na América era ainda um vasto território a ser invadido, colonizado e batizado (ou seja, o Brasil ainda não existia). Além de Anchieta, também Bento Teixeira não nasceu nesta Terra dos Papagaios, sendo natural da cidade do Porto, em Portugal. Tomás Antônio Gonzaga é da mesma cidade lusitana, mas difícil seria encontrar poeta mais brasileiro que ele entre seus contemporâneos. Já o infeliz Cláudio Manuel da Costa nascera em Mariana, mas poetava como quem passasse em Minas Gerais pelo mais duro exílio. Enfim, o acidente geográfico que marca o nascimento desses indivíduos pode ser importante para a definição de seus mapas astrais, mas nem sempre importam para a definição do caréter expressivo de suas produções poéticas. A antologia pode ser encontrada no seguinte endereço:

quarta-feira, 2 de março de 2011

Lista de títulos para Seminários – Literatura Brasileira I

Os livros a serem estudados para apresentação dos seminários de Literatura Brasileira I (turmas A e B) são os seguintes: 1. Primeiros Cantos (1847), de Antônio Golçalves Dias. 2. Últimos Cantos (1851), de Antônio Golçalves Dias. 3. Lira dos Vinte Anos (1853), de Manuel Antônio Álvares de Azevedo. 4. Noite na Taverna (1855), de Manuel Antônio Álvares de Azevedo. 5. Os Escravos (1883), de Antônio Frederico de Castro Alves. 6. Primaveras (1859), de Casimiro José Marques de Abreu. 7. Anchieta ou O Evangelho nas Selvas (1875), de Luís Nicolau Fagundes Varela. 8. O Noviço (1853), de Luís Carlos Martins Pena. Muitas das obras listadas podem ser encontradas na Brasiliana USP