“A Casa” é puro marketing! Estruturalmente não existe nada que se possa chamar de cinema nesta brincadeira cara. A própria chamada já vende um produto mentiroso: “O primeiro filme de terror filmado em um único plano sequência”. Não precisa muita atenção para perceber que a obra possui setenta minutos, porém inicia de manhã e termina à noite! É o dia mais curto da história do mundo! Pior que isto, não existe possibilidade de filmar algo por este tempo em um único plano sequência sem cortes. O mesmo recurso utilizado por Hitchcock em “Festim Diabólico” se encontra neste, ou seja, existem cortes discretos em cenas escuras.
Todos estes problemas poderiam ser esquecidos, caso o roteiro fosse aceitável, mas não é o que acontece. Os poucos momentos de sustos não o tornam mais interessante que um passeio na mais medíocre montanha russa. As atuações chegam a ser embaraçosas em diversas cenas, mesmo levando em consideração o gênero e o público alvo do produto. O diretor uruguaio Gustavo Hernandéz até tenta elaborar criativas maneiras de contornar o baixo orçamento, porém não consegue salvar o projeto, que ainda entrega um final (no mínimo) decepcionante.
Com certeza os Estados Unidos irão criar uma refilmagem, que possivelmente será tão medíocre quanto o filme original, porém com o triplo da verba. O mais triste é pensar que se tratava de uma ótima idéia, infelizmente desperdiçada.