sexta-feira, 30 de março de 2012

Ó


Esta é a orelha do livro/ por onde o poeta escuta/ se dele falam mal/ ou se o amam”, diz Carlos Drummond de Andrade, predileto de Nuno Ramos, em seu “Poema-orelha”. Aqui, na orelha deste livro, poderíamos declarar, sem falso pudor nem reticência, o quanto gostamos de Autor e obra, mas não poderíamos dizer o que o livro é, sem traí-lo em sua natureza própria.

De fato, olhando bem, os textos que o compõem em sua unidade tão estrita quanto desatada não são contos, nem poemas em prosa, nem crônicas, nem ensaios, nem crítica, nem romance, nem autobiografia etc., sendo, no entanto,tudo isso e mais uma coisa incerta e não-sabida, que o leitor nomeará. Uma vasta fantasia antropológica? Uma crítica da percepção? .....

quinta-feira, 29 de março de 2012

O CORPO O LUXO A OBRA


Primeira apresentação ao leitor brasileiro de um dos maiores e inventivos poetas portugueses contemporâneos. Essa edição traz também um ensaio de Maria Lúcia Dal Farra, autora de um importante livro sobre a obra desse autor.

quarta-feira, 28 de março de 2012

O DELICADO ABISMO DA LOUCURA


As novelas de O delicado abismo da loucura têm em comum a mesma geografia: Santo Antônio do Salgueiro. Essa marca de origem se constitui em uma referência fundamental para entender o Nordeste de Raimundo Carrero. (...) Suas construções são míticas, imagens básicas, elementares, que nos conduzem, pela sofisticação da composição, à totalidade.

terça-feira, 27 de março de 2012

Junco



Antes mesmo de sua publicação em livro, Junco ganhou de alguns de seus leitores um epíteto — “a máquina do mundo cão” — que parece difícil de descolar desse conjunto de poemas em que Nuno Ramos vem trabalhando nos últimos catorze anos. Não é preciso adivinhar a referência à busca do sentido do mundo, à “total explicação da vida” que espantosamente se abre aos olhos de um caminhante solitário, ainda que para se recolher, logo em seguida, e sem desfazer o enigma, como no poema de Drummond. A máquina do mundo se expõe diretamente aí em nota e em recortes brevíssimos, encravados nos textos. E se oferece, ainda, como cena primordial — no meio do caminho da vida — que organiza a paisagem marítima infernal — praia, praia, praia, praia - na qual se opera um misto de junção e tensão figural, que estrutura, em via dupla, mas em mútua interferência, a série poética de Nuno Ramos, entre os restos de um cachorro morto largado no asfalto e os de um cadáver de árvore, junco jogado na areia. E também entre texto e fotografia — pois, ao lado da sucessão de refigurações de cão e junco, reitera-se literalmente, ao longo do livro, a exposição de imagens do tronco na beira do mar e do cachorro morto no chão.

A trama dupla, no entanto, se sugere o analógico, é para travá-lo em seguida. Mesmo que as fotos os apresentem em disposição quase idêntica, parecendo reforçar comparações, é impossível não ver a matéria diversa de que são feitos animal e caule.
Pois cão é cão e junco é planta. E mesmo que o caule se exponha como cão-lagarto, lambendo algas, e ao cão, no asfalto, se possa ver como junco, lenha, banha, planta, persiste a dissimetria. E é pela insistência nesse paralelismo, mas a distância, das imagens que Nuno Ramos se avizinha, em movimento largamente expansivo, do belíssimo jogo entre bala, relógio e lâmina, rea­lizado por João Cabral de Melo Neto em Uma faca só lâmina.
Acrescentando-se, assim, a um modo cindido de figuração (reduplicado, ainda, entre lágrima e onda) outra tensa articulação — entre o poema narrativo e a composição serial, e entre o formato circunflexo, expressivo, do rosto e o livro silencioso de areia com que se encerra o último poema.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Roland Barthes - uma biografia intelectual

O livro ROLAND BARTHES - Uma biografia intelectual, de Leda Tenório da Motta, a sair no dia 29 de novembro de 2011 pela Editora Iluminuras, é o primeiro trabalho individual de fôlego sobre este importante crítico literário e pensador da cultura contemporânea a ser publicado no Brasil.
Trata-se de um autor cuja obra monumental está hoje em plena reavaliação não só na França mas no mundo e que vem sendo, cada vez mais, celebrado como o expoente de sua geração.Não é dizer pouco quando se sabe que ele pertenceu à virada linguística de Claude Lévi-Strauss, Michel Foucault e Jacques Lacan, muito mais conhecidos entre nós.

Indo de O grau zero da escritura até os belos volumes que saem das derradeiras conferências feitas por Barthes no Collège de France, às vésperas de sua morte precoce, a pesquisadora dedica-se, particularmente, a assinalar o inesperado círculo virtuoso dos escritos barthesianos, ironicamente, em seu tempo, considerados superficiais e divagantes.
Articulando os conceitos sui generis de “grau zero” e “neutro”, com sua postulação de uma linguagem não-assertiva, que só a “escritura” poderia almejar, mostrar como desvendam um interessante cético contemporâneo, à altura de um Montaigne. Sem perder de vista esse fio condutor, o livro consagra todo um capítulo à apresentação do clássico volume Mitologias, corrosivo painel da indústria cultural francesa nos anos 1950 que, contrapondo-se às leituras marxistas “piedosas”, terminaria por consagrar um delicado modelo de análise interna das mídias, atenta ao trabalho dos signos. Reconstitui também a “briga” de Barthes com a Sorbonne em torno do modo de ler Racine, evento célebre na origem da “nouvelle critique”, propondo uma aproximação deste fascinante embate crítico com aquele existente no Brasil entre Haroldo de Campos e a USP. Por fim, à luz da crítica-escritura de Barthes, discute longamente o lugar e o papel do crítico hoje.

domingo, 25 de março de 2012

Curare

Entxeiwi. Com essa expressão, que se avizinha a “bom-dia”, Tikuein – apelido de José Luciano da Silva – ou Nhangoray (Mão Pelada), seu nome indígena, falecido em 2009 e um dos últimos falantes da língua Xetá, iniciava uma conversa com o espelho. Um rito oral com o outro do espelho que podemos dizer um exercício-limite, sintoma do desaparecimento dessa língua – do grupo dialetal guarani, no caso o mbyá, bem como outras da família linguística tupi-guarani – e efeito da dizimação da diversidade cultural a-histórica. Os Xetá, desde o início dos primeiros contatos, em fins do século XIX, ficaram reduzidos a seis indivíduos remanescentes. A soma dos indivíduos é menor que o número de nomes atribuídos à coletividade: Xetá, Héta, Aré, Botocudo, Sjeta, Notobotocudo, Ssetá, Bugre, Yvaparé, Chetá e Seta. São onze nomes coletivos para seis indivíduos que atualmente não convivem coletivamente.
Poucos meses após ter decidido que o informe desta fala de Nhangoray seria a pulsão do poema, tive a alegria de encontrar-me com Jerome Rothenberg, em Curitiba, em meados de 2007. Em rápidos três dias de convivência, o poeta e tradutor estadunidense, criador do conceito etnopoesia, deixou-me sinais estáveis de que a poesia é presença e ruído de fundo nas diversas relações culturais. “Nenhuma pessoa hoje é recém-nascida.
Nenhuma pessoa se acomodou apaticamente aos milhares de anos de sua história. Meça tudo pelo foguete Titan & pelo rádio transistor, & o mundo estará cheio de povos primitivos. Mas mude por uma vez a unidade de valor para o poema ou para o evento da dança ou do sonho (todas, claramente, situações artefatadas) & fica aparente o que todas estas pessoas têm feito todos esses anos com todo esse tempo nas mãos”, escreveu Rothenberg em “Pré- Face - Technicians of the Sacred” (Etnopoesia no milênio).
Este informe do rito oral de Nhangoray é presença extremosa em Curare desde as primeiras linhas e põe em ênfase as relações entre poesia e etnia. A medida é monstruosa – do informe ao disforme, e, estendidamente, às linhas de fuga que sugerem ao poema o aberto –, um modo de se chegar ao ethos poético ou a uma poética.
Posso dizer, além disso, que, recentemente, com a elaboração e exposição de uma etnoperformance chamada Carretel curare é que esse ethos delineou-se em seu movimento de retorno. O informe da fala de Nhangoray, presença na minha escrita-cosmogonia, escrita monstruosa, retorna à oralidade via espaço da performance.
Curare opera mais por uma força centrífuga do que centrípeta e descentra para não decifrar. “Não há mais sujeito-objeto, mas ‘brecha escancarada’ entre um e outro e, na brecha, o sujeito, o objeto são dissolvidos, há passagem, comunicação, mas não de um a outro: um e outro perderam a existência distinta” (Bataille). Assim, a expressão “entxeiwi/bom-dia”, pode ser uma variante livre do sentido “carpe diem” (Horácio), vulgarmente traduzido por “viver o dia”. Se o gesto “carpe diem” busca dizer o que se esgota no instante presente, uma expressão para o “viver o agora”, dizer “entxeiwi” ao espelho, em uma língua esquecida, pode nos abrir o sentido poético desta língua, sentido este que está em todas as línguas, momento em que não estão formalmente estruturadas como linguagens de poder (Blanchot). É neste lugar, lugar também da tradução, que não é começo nem fim, lugar olvidado, silencioso, lugar de ausência que Curare – “brecha escancarada” – se relaciona incessantemente. E se recorro ao carpe diem, antes de evocá-lo formalmente, um épico, procuro dizê- lo no sentido que a expressão “entxeiwi” se me apresenta, ou seja, lugar de potência que tanto necessita o poema que não quer nunca se acabar, que é “continuum de variações crescentes”, nas palavras de Arturo Carrera, em seu Noche y Día.

sábado, 24 de março de 2012

De santos e sábios

No primeiro dos ensaios reunidos neste livro, “Não se deve confiar nas aparências”, Joyce – quando muito jovem – reserva ao olho o papel de única exceção a essa máxima, apontando que ele “nos revela a culpa e a inocência, os vícios e as virtudes da alma”. Esse texto prematuro, cativante na feliz tradução a nossa língua, já sugere aspectos fundamentais da obra e da vida do gigantesco escritor irlandês, desenvolvida a partir de elementos como a culpa e o vício, a inocência e a virtude. De modo análogo ao olho por ele distinguido, seu olhar sobre a Irlanda, a vida e a arte desvela, em sua superfície (apesar da aparente pouca “profundidade” dos artigos) os fundamentos do autor, lançando luz sobre sua obra ficcional e poética.
Com este livro – organizado por destacados joycianos brasileiros que acumulam a incansável dedicação à tarefa de (bem) traduzir – Joyce parece estar mais presente, mais vivo entre nós, embora fôssemos, já, privilegiados pela existência de múltiplas traduções de sua ficção. Nestes ensaios: os aspectos políticos de sua obra (cuja existência foi, por vezes, negada) tornam-se evidentes, conforme comenta, em seu artigo no volume, Dirce Waltrick do Amarante; a visão crítica do escritor se mostra afiada – constitui-se “uma espécie de tribunal do qual nenhum contemporâneo sai ileso”, como afirma em seu estudo André Cechinel, para assinalar que esse aspecto esconde a indicação da trajetória literária do próprio autor; a teoria estética apresentada – depois ressurgida em sua ficção – já revela que “arte e vida confundem-se num mesmo todo” (no dizer de André); são identificáveis “temas, imagens, palavras, polêmicas” que integrariam Ulysses, prenunciando-se, na visão de Caetano Galindo, o “projeto” configurado pela obra ficcional de Joyce.
Quase desconsiderados no úl­ti­mo sé­culo, os escritos deste livro podem ajudar – como almeja Sérgio Medeiros – a revelar o “Joyce ‘ilícito’ do pós-modernismo” e a compreender o “grande barulho estético, e político,” produzido por Ulysses e Finnegans Wake. Alimentem esperanças os que entrarem.

quarta-feira, 21 de março de 2012

SOLANAS POR SOLANAS





Pela primeira vez o autor de autênticos cult movies do cinema político internacional (La hora de los hornos e Los hijos de fierro) e de tocantes poemas em forma de filme (Tangos, Exílio de Gardel, Sur, El viaje) confessa-se abertamente perante seu público, contando sua vida aventurosa, passada entre arrebatadoras paixões artísticas, cinematográficas e políticas.

terça-feira, 20 de março de 2012

Embrulho Líquido

Bianca Lafroy es un héroe o una heroína sobrerreal cuya impronta se lee como el negativo de cada poema, en una línea que desciende del argentino paulista Néstor Perlongher, tanto del poeta de “¿Por qué seremos tan hermosas?” como del autor del Negocio del Miché. Prolonga esa línea de exquisita in-definición, en que la impostura de una travesti es el recalco de un andrógino. Ya es hora de que los bordes entre lo masculino y lo femenino se derrumben, y aquí el oído de la poesía está dedicado a la fracción infinitesimal de un rompimiento de fronteras y de un pasaje, como en aquel verso del poeta venezolano Marco Antonio Ettedgui: “se me pasa de hombre a mujer, basta un parpadeo”. Y este parpadeo es el momento poético de Bianca, estupendo pero no requintado. Como una constelación, se van adhiriendo aquí fragmentos de textos imantados por este fenómeno, fragmentos al imán del pasaje a dos tiempos, a dos focos, un delicado equilibrio en que se está sin estar en los platillos del consabido sistema binario del género, más bien rompiendo la opresión y violencia de la matriz del género. En este sentido es un texto profético, una profecía del presente, la medida de una apertura de la sensibilidad, y el descubrimiento de lo que siempre estaba allí.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Agora é que são elas

Leminski no círculo dos escritores mais inventivos se ombreia em talento com Joyce, Rosa ou Carroll no fabuloso Catatau, seu aclamado primeiro livro, e a um Italo Calvino ou Cortazar neste Agora é que são elas.

Sempre genial no que fazia, Leminski saiu-se com esta: “O romance não é mais possível. Agora é que são elas é um romance sobre a minha impossibilidade de fazer um romance”. E lançou então esta narrativa, em lúdico e atrevido exercício, misturando todo seu repertório e talento como poeta, tradutor, ensaísta, publicitário, músico e transgressor inventivo de diversas normas.
Com grande habilidade e competência neste ”suprarromance” misturando paródias, ironias, citações várias, inversões de perspectivas, norma culta ou linguajar desbocado, Leminski vai tecendo tramas: personagem sem nome, narrador-malandro que queria ser médico, mas virou astrônomo, tem um caso com Norma, filha de seu analista Vladimir Propp, escritor russo, autor da Morfologia do conto maravilhoso...
As normas propostas por Propp nesse livro norteiam ou confundem a vida e ações das personagens enquanto rola uma agitada festa que estranhamente não comemora nada, divagações e questionamentos sobre os lances de uma guerra em algum lugar no cosmos, idas e vindas no tempo e no espaço, na história: tudo parece muito ao acaso, despretensiosamente ou não, para reviravoltas do pensamento culto, da filosofia à psicanálise, com uma linguagem simples, leve e solta, ligeira e musical, embaralhando e desmascarando as articulações da lógica e as regras dos esquemas prontos.
Além das aparências, este de­fi­nitivamente não é um ro­man­ce fácil ou superficial. E a crí­tica vem se desdobrando em análises para lhe renovar elogios.
A vida como um carnaval passando pelo labirinto, dentro ou avessa a certas normas. Ficção e realidade, indagações sobre a existência. “Ao delito de deixar o dito pelo não dito” é o pensamento vivo de Leminski que conspira por aqui. Mas será que é mesmo assim?

sábado, 17 de março de 2012

A Chave de Salomão

A Chave de Salomão novo livro de Dan Brown
O escritor norte-americano Daw Brown se consagrou mundialmente com o seu livro Código da Vinci assim como os outros: Fortaleza Digital, Ponto de Impacto, Anjos e Demônios.E agora o seu mais novo trabalho se chama “ A chave de Salomão” que promete fazer um imenso sucesso também.
O livro vai relatar sobre os Maçons.Assim como a influência dessa na fundação e funcionamento de um país mais precisamente falando dos Estados Unidos.Além disso, pessoas como George Washington e Benjamin Franklin assim como outros dezesseis presidentes que governaram esse país eram Maçons.Todo o mistério que envolve essa sociedade secreta, simbologia republicana, entre outros artefatos serão contados no livro.Até mesmo a capa dessa haverá pistas sobre esse assunto.Ficou curioso? Achou o assunto interessante? Espere, portanto, até junho que esse livro já estará nas livrarias brasileiras.

sexta-feira, 16 de março de 2012

O mundial de bumbum elege brasileira

Concurso mundial de bumbum elege brasileira
No ano passado, foi realizado um concurso, na qual, elegeu a o bumbum mais bonito do mundo. Na disputa feminina, participaram mulheres de 26 países diferentes, inclusive o Brasil, na qual foi representado pela brasileira Melanie Fronckowiak.
Ela foi a grande vencedora do Miss bumbum, e levou para a casa o premio de 15 mil euros, o que dá algo em torno de 40 mil reais. Melanie é gaucha e tinha apenas 20 anos quando participou do concurso.
Além de levar o premio em dinheiro, a nossa brasileira assinou contrato com a marca de lingerie Sloggi, que patrocinou o evento. Pelo lado dos homens, o vencedor foi o francês Saiba Bombote de apenas 27 anos.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Lanterna Verde

Em adaptações recentes bem sucedidas do universo dos quadrinhos para o cinema como “X-Men: Primeira Classe” e “Capitão América: O Primeiro Vingador”, constata-se uma eficiente combinação de roteiros interessantes com encenações claras e dinâmicas, além de um respeito pela essência dos personagens conforme a sua mídia original. Em “Lanterna Verde” (2011), tal equação não consegue se concretizar. Claro que há pontos a se louvar, como os bonitos efeitos visuais, a caracterização repulsiva dos vilões e uma ambientação um tanto violenta e sórdida. No mais, entretanto, predomina uma narrativa truncada, aliada a uma trama que pouco desenvolve personagens e situações – é tudo muito rápido e superficial, com o diretor Martin Campbell dando a aparência de estar seguindo burocraticamente alguma cartilha de como fazer versões cinematográficas de um gibi. Completa os equívocos uma interpretação desprovida de carisma e profundidade de Ryan Reynolds no papel do protagonista. Claro que está longe de ser um filme ruim, mas como resultado final, “Lanterna Verde” acaba sendo uma decepção dupla, tanto pelo potencial criativo desperdiçado do personagem principal quanto pelo histórico de Campbell, o mesmo responsável por “Cassino Royale” (2006), uma das melhores aventuras da série 007.

sábado, 10 de março de 2012

Onde Está o Wally

Conheça o livro Onde Está o Wally

Criado pelo ilustrador britânico Martin Handford, o livro Onde Está o Wally é destinado ao publico infanto-juvenil, sendo formado, basicamente, por figuras e textos. Em cada pagina, o leitor encontra uma ilustração diferente, onde ele deve encontrar o garoto Wally, principal personagem da série.

Ele possui uma camiseta listrada em vermelho e branco, gorro, óculos e anda de bengala. Wally vive perdendo alguns objetivos, como livros, sapatos, ferramentas para acampamento, dentre outros equipamentos. Para encontrá-lo, você precisa prestar bastante atenção e ficar atento a todos os detalhes. Ao todo, a série Onde Está Wally possui sete livros.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Cowboys e Aliens


Dentro de uma concepção típica da cultura pop, a ideia central de “Cowboys e Aliens” (2011), apesar de não muito original, é muito boa ao procurar juntar dois dos mais estimados gêneros cinematográficos – faroeste e ficção científica. Não deixa de ser atraente também o fato de uma trama e ambientação características do cinema B receberam um tratamento de produção classe A. Mas se na teoria tais aspectos despertam curiosidade, na execução as coisas ficam abaixo do esperado. O pastiche de elementos diversos faz que tanto a parte western quanto a espacial soam fake e limpinhas demais. É claro que não dava para esperar um estilo clássico no dirigir na junção de gêneros diversos. O que incomoda é uma ambientação um tanto asséptica em que até a sujeira e o sangue parecem excessivamente clean. É de notar também que uma trama como “Cowboys e Aliens” exigiria uma abordagem mais marcada pela ironia, tendo em vista o tom juvenil de sua premissa. O que predomina durante o filme, todavia, é um viés dramático, de conotações moralistas e repleto de discursos edificantes, o que acaba sendo um pouco ridículo. Deixando tais equívocos de lado, resta ainda em alguns momentos uma diversão espapista até bem palatável, principalmente pelos bons efeitos especiais e pela ação desenfreada de algumas sequências. Talvez o azar de “Cowboys e Aliens” esteja no fato de que em 2011 houve produções de aventura nas telas bem mais satisfatórias como “X-Men: Primeira Classe”, “Capitão América: O Primeiro Vingador” e “Planeta dos Macacos: A Origem”.

Larry Crowne

O título que arrumaram no Brasil para a mais recente incursão de Tom Hanks na direção acaba dando um sentido enganoso para a produção. Não que o elemento comédia romântica não esteja presente na trama – na realidade, é até um dos seus motes centrais. Mas “Larry Crowne – O Amor Está de Volta” (2011) tem uma pretensão um pouco maior na sua proposta. O que na realidade o diretor se propõe no filme é realizar uma espécie de revitalização daquelas comédias dramáticas de Frank Capra, em que no meio da recessão econômica pós-1929 se procurava fazer uma exaltação dos melhores valores humanos do homem comum norte-americano. No caso de Hanks, o roteiro se contextualiza na ressaca da quebra da economia mundial ocorrida em 2008 (e que na realidade ainda se expande atualmente). Os protagonistas vividos por Hanks e Julia Roberts se encontram com suas vidas pessoais em colapso. A personagem de Julia, inclusive, esboça um caráter niilista, devidamente temperado por alcoolismo light. Por se tratar de uma comédia de elenco estelar, é óbvio que tais figuras alcançam a sua redenção. É inegável, entretanto, que “Larry Crowne” traga no seu bojo uma visão crítica em relação aos valores pequenos burgueses. Por mais que as suas criaturas tenham um final feliz, algumas das soluções propostas na conclusão não enveredam pela mágica fácil. É como se o filme propusesse algo na linha “seja feliz com o que você tem ao seu alcance”, o que não deixa de ser um viés desafiador das convenções pequeno burguesas de sucesso a qualquer preço. No mais, Hanks pode não ter a mesma classe formal de Capra, mas mesmo assim consegue oferecer alguns momentos de boa diversão escapista, mas com uma certa dose de reflexão.

As obras de Machado de Assis

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Machado de Assis é um dos maiores autores da Literatura Brasileira, seu estilo de escrita foi decisivo na transição entre o Romantismo e Realismo. Nascido no Rio de Janeiro em 1839, Machado sempre demonstrou afinidade com os livros e mesmo sem possuir muitos cursos, se transformou em um dos maiores intelectuais do país.
O escritor foi o responsável pela primeira obra realista brasileira, o clássico “Memórias Póstumas de Brás Cubas”. Nesse mesmo período literário ele lançou “Dom Casmurro”, um livro que apresenta características típicas da obra machadiana e tem várias interpretações a respeito do seu desfecho.
Machado tem nove romances lançados, 200 contos e um acervo impressionante com 600 crônicas de sua autoria. Confira a seguir a lista com obras desse autor:

- Ressurreição
- A mão e a luva
- Helena
- Iaiá Garcia
- Memórias Póstumas de Brás Cubas
- Casa Velha
- Quincas Borba
- Dom Casmurro
- Esaú e Jacó
- Memorial de Aires

quinta-feira, 8 de março de 2012

bons livros da literatura brasileira

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A Literatura Brasileira possui uma riqueza que é pouco valorizada pelas pessoas, as obras conseguem representar perfeitamente as mudanças que aconteceram na sociedade ao longo das épocas. A literatura é influenciada pelas visões e estilos de vida de cada período, construindo assim um acervo variado.

Autores se tornaram conhecidos devido a qualidade de seus livros, como é o caso de Machado de Assis, Clarice Lispector, Manuel Bandeira, Aluísio Azevedo e muitos outros. A literatura sempre foi um veiculo utilizado para fazer críticas sociais, mas esse objetivo passou a ser tornar prioridade em períodos como o realismo e naturalismo.
Algumas pessoas criticam os clássicos da literatura devido a linguagem formal e complexa que os constituem, mas basta ler com atenção que a interpretação acontece de forma mais simples. Conhecer essas obras aumenta suas chances de obter sucesso no seu vestibular. Confira os nomes de alguns livros interessantes para se ler:

- Perto do coração selvagem (Clarice Lispector)
- O Cortiço (Aluísio Azevedo)
- Dom Casmurro (Machado de Assis)
- Senhora (José de Alencar)
- Vidas Secas (Graciliano Ramos)
- A Hora da Estrela (Clarice Lispector)
- O Tempo e o Vento (Erico Veríssimo)
- Capitães de Areia (Jorge Amado)

Fata Morgana


Tentar entender ou explicar “Fata Morgana” (1970) como um documentário a retratar o coração e alma da África seria impreciso. Aparentemente, não há um roteiro linear que ajude ao espectador a compreender o que seria a “trama” do filme. São imagens e sons que se sucedem e combinam, com sucessivos planos seqüências, de forma um tanto aleatória. O que era para ser cinema verdade acaba se tornando uma espécie de divagação existencial e estética a refletir um estado espiritual. Herzog demonstra olhar fascinado sobre o exotismo e mistério que rondam o continente africano, mas não transforma sua produção em algo de caráter didático ou de exaltação para gringo ver. Seu registro é de tintas impressionistas, em que mesmo o flagra da “verdade”, de acordo com a concepção formal do diretor, adquire, por vezes, o viés do irreal e do atemporal, sensação essa que é reforçada ainda mais por uma trilha sonora climática, marcada por temas típicos de rock progressivo setentista na linha kraut rock. Também permeia “Fata Morgana” a característica forma de Herzog retratar a natureza: sua abordagem não é de deslumbre ecológico, mas sim de um temor em relação ao desconhecido que emana daquelas paisagens inóspitas. Tal visão, por sinal, continuou a ser explorada em obras posteriores e fundamentais do diretor (“Aguire”, “Fitzcarraldo”, “O Homem Urso”).

terça-feira, 6 de março de 2012

O Diamante Branco


Voltando a uma de suas temáticas favoritas, a relação conturbada entre o homem e a natureza, o diretor Werner Herzog oferece um retrato perturbador da obsessão humana no documentário “O Diamante Branco” (2004). Nos momentos iniciais, predomina um certo detalhamento técnico das minúcias que envolvem o projeto do protagonista Graham Dorrington, um engenheiro aeronáutico que projeta e constrói um dirigível com o objetivo de filmar uma floresta da América do Sul. Com o desenrolar da produção, entretanto, Herzog insere sutilmente elementos pessoais dos principais envolvidos na operação, extraindo depoimentos e situações que refletem um choque entre conflitos intimistas com a dimensão épica da jornada de Graham. Fica estabelecida uma metáfora poética: quanto mais avançam na floresta e procuram fazer com que o dirigível alce vôo, mais revelam e se aprofundam sobre as razões de se envolverem em empreitada tão difícil. Além disso, o cineasta mostra a sua habitual e particular forma de retratar ambientes nativos, num misto de admiração e temor perante o desconhecido. No geral, o registro de Herzog em “O Diamante Branco” até evoca uma das suas mais obras mais comentadas no gênero documentário, “Fata Morgana” (1970), com o real se transmutando em imagens que até ganham conotações oníricas – afinal, o diamante branco do título é uma comparação entre o formato da aeronave em questão no ar com aquele da pedra preciosa que por muitos anos era encontrada na Guiana Francesa, local onde a obra foi filmada.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Gasherbrum

A temática do documentário “Gasherbrum” (1984) pode lembrar algum episódio do Globo Repórter ou de um canal esportivo qualquer: dois alpinistas enfrentam dois grandes picos em apenas uma escalada. Se nos programas televisivos tal evento seria tratado como um exemplo de superação pessoal ou outra lição de vida edificante, nas mãos de Werner Herzog o mesmo acaba ganhando uma conotação bem diversa. Na visão pouco emocional do diretor alemão, o feito dos protagonistas é o retrato de uma obsessão e de desejos profundos que os envolvidos mal conseguem explicar. Não se trata de heroísmo, mas simplesmente de um beco sem saída existencial, em que a única alternativa restante na vida deles é escalar nas condições mais adversas possíveis. O método formal meticuloso e de distanciamento emocional de Herzog ao filmar encontra sintonia espiritual com a própria ambientação inóspita onde a produção se desenrola, e rende, pelo menos, uma seqüência antológica – aquela em que o diretor entrevista um dos aventureiros em questão sobre um episódio anterior em que o seu irmão, também alpinista, faleceu em uma escalada. O depoente mantém um tom sereno durante toda a narrativa que faz da sua tragédia pessoal, mas desaba em soluços quando indagado sobre como comunicou à sua mãe sobre o falecimento do outro filho. É avassalador o efeito do intimismo de tal manifestação em meio à crueza da abordagem até então praticada por Herzog. É como se não houvesse lugar para tais lágrimas naquele ambiente gélido.