Merecido vencedor do prêmio de direção em Cannes, o ator Mathieu Amalric vive Joachim, um ex-produtor de TV parisiense que planeja recomeçar sua vida na América. Na “terra das oportunidades” encontra algumas dançarinas de “New Burlesque” e une-as, agenciando sua ida para a França, onde lhes promete uma turnê requintada. Mathieu tratou um tema controverso e sexual, abordando personagens marginalizadas (dançarinas de strip-tease), conseguindo torná-las interessantes, essencialmente humanas e fugindo da simples caricatura, sem que o clima da obra em nenhum momento soasse vulgar ou apelativo. Basicamente o oposto do que o diretor Marcus Baldini realizou em “Bruna Surfistinha”.
O cinéfilo devotado irá perceber uma enorme semelhança com o filme de John Cassavetes: “A Morte do Bookmaker Chinês” (1976), enquanto o roteiro nos envolve na melancolia existente por trás de todo o espetáculo de luzes e cores engendrado por Joachim, que esconde uma realidade sem nenhum glamour, onde a equipe acaba tendo que se hospedar em hotéis baratos e até mesmo se envolver em atos de furto.
Utilizar reais dançarinas de “New Burlesque” nos papéis principais é um elemento que ajuda na nossa imersão como espectadores. Mathieu Amalric se mostra um tanto quanto exagerado em cena, porém sua direção é precisa e incrivelmente eficiente. Aos poucos o filme nos prende a atenção e quando percebemos estamos completamente entretidos, neste “road movie” divertido e interessante.
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