sábado, 22 de outubro de 2011

Nossas pálpebras




Antes o chão eram folhas, fezes e purpúreas escaras de fim de feira. O chão e suas artérias eram antes palavras, expressão acústica de guetos, becos, fossos, latitudes perdidas onde a cidade rasteja ao rés do piche. Depois este chão betuminoso refez-se na expressão fotográfica, na imagem visual em que formas, cores e traços revelam com outros olhos a mesma cidade.
Nesse deserto urbano promove-se o encontro de linguagens tão contrárias e tão afins: o poema em palavras de Rendrik e o poema em fotos de Maycon, que, unos, completam-se na exclusão da cidade. Ao levantar os olhos do chão, deparamos com portas, trancas, correntes e cadeados, janelas, cal e cores esmaecidas, universo desolado e ferruginoso que mapeia um novo conjunto de fotos.
 A partir dessa matéria visual, o encontro inverte-se: os poemas de Rendrik geram-se das imagens de Maycon, mas a junção mantém-se. Afinal, fotografar o poema ou poetizar a fotografia correspondem à mesma destinação poética, a de constantemente ressignificar o mundo.Áurea Rampazzo
 Museu Lasar Segall e Editora Iluminuras promovem lançamento do livro Nossas Pálpebras
Resultado das oficinas de criação literária e de fotografia, livro Nossas Pálpebras alia palavra e imagem para traçar a arquitetura dos desertos urbanos.
O Museu Lasar Segall, em parceria com a Editora Iluminuras, promove no próximo dia 22 de maio (sábado), o lançamento do livro Nossas Pálpebras, de R.F. Franco e Maycon Lima, fruto do trabalho desenvolvido nas oficinas de criação literária e de fotografia da instituição. O lançamento ocorre às 17 horas, nas instalações do Museu.
Aliando as linguagens poética e fotográfica, o livro é composto de duas partes distintas – Cidade-chão e Vestígios - que revelam por meio dos poemas do escritor R.F. Franco, e das imagens do fotógrafo Maycon Lima, a arquitetura dos desertos urbanos.
Na primeira parte da obra, é o poema que encontra novos sentidos na expressão fotográfica, o texto que é amplificado por um universo de formas, cores e traços que sugerem, com outros olhos, o mesmo vazio concreto das cidades. Já na segunda parte, o caminho se inverte: é a matéria visual, produzida por um novo conjunto de fotos, que inicia a viagem dos sentidos para dentro do poema.
“O livro nasce do encontro de linguagens tão contrárias e, ao mesmo tempo, afins. fotografar o poema e poetizar a fotografia correspondem a caminhos diferentes com a mesma finalidade poética: a de ressignificar o mundo”, observa Áurea Rampazzo, coordenadora do projeto.
Sobre os Autores
R.F. Franco atuou como médico. Desde 2008, dedica-se ao estudo da poesia e à escrita de poemas na oficina de criação literária do Museu Lasar Segall.
Maycon Lima, fotógrafo, frequenta desde 2007 o Museu Lasar Segall, onde desenvolve trabalhos nas oficinas de fotografia e de criação literária.
Sobre o Museu Lasar Segall
Desde sua fundação, em 1967, a instituição mantém uma postura de incentivo a atividades culturais com vistas em projetos educativos e seu papel na ampliação da consciência crítica de seu público. “Com esse ideal, o Museu conta com uma área de atividades criativas que oferece oficinas, exposições e atividades paralelas de Criação literária, Ateliê de Gravura e Fotografia. Este livro é o primeiro que resulta do trabalho conjunto de duas de nossas oficinas – a de fotografia e a de criação literária”, destaca Áurea Rampazzo, coordenadora das oficinas de criação literária do Museu Lasar Segall.

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